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Quando eu era pequeno
O vento me segurou pela mão
Sem perguntar o que eu achava
Fechou meus olhos
E pediu que eu visse as folhas
Eu com as mãos em ventania
E os olhos em brisas que desconheço
Imaginei as folhas secas
Misturadas
E sujas
Empoeirando meus ombros
Girando ao meu redor
E não é que por um instante
quando eu ainda era pequeno
no segundo
o intacto segundo em que o vento deixou minha mão
faltou-me o ar para chamá-lo
E desde então eu assopro sílabas soltas
na esperança que ele saiba
que uma das folhas se prendeu no meu bolso
e com as mãos ainda em ventania,
não tenho como libertá-la.
