Fiz um!

Tá feito e é para ser comentado!

Tuesday, December 18, 2007

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Quando eu era pequeno
O vento me segurou pela mão
Sem perguntar o que eu achava
Fechou meus olhos
E pediu que eu visse as folhas
Eu com as mãos em ventania
E os olhos em brisas que desconheço
Imaginei as folhas secas
Misturadas
E sujas
Empoeirando meus ombros
Girando ao meu redor
E não é que por um instante
quando eu ainda era pequeno
no segundo

o intacto segundo em que o vento deixou minha mão
faltou-me o ar para chamá-lo
E desde então eu assopro sílabas soltas
na esperança que ele saiba
que uma das folhas se prendeu no meu bolso
e com as mãos ainda em ventania,
não tenho como libertá-la.

Thursday, August 23, 2007

(... ... ... ...)



Rogo sem orar que os dias se apressem.
Revira. Venta. Assopra e reluz.
O tempo se muda: alojamentos e escalas.

Diante e adiante, atrás e atrás.
Há tempos que as horas são gêmeas
E que pena,
Já não somos mais.







(da série: essa mania de escrever no ônibus)

Sunday, August 19, 2007

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rasgando.






E não é raro ter certeza: estamos condenados.
na verdade é o que sempre acho.
mesmo quando nos presenteamos.
mesmo quando nos olhamos com carinho
não é raro sentir o peso de um tapa ou de um suspiro
- sinto os pulmões como a ponta dos dedos.
e não é raro dizer o que não sentimos.
como não é raro brigarmos por tudo que nos passou.
fomos atropelados. por tantos.
e quase sempre nos atropelamos.
sem gritos ou dor, somos silenciosos.
cortantes e quebradiços como gelo.
raro sermos nós mesmos.
e talvez eu não os reconheça na rua, sem defesas, problemas e medos.
e talvez eu nunca saiba suas cores prediletas, seus sonhos,
quem foi seu grande amor.
porque eu não quero saber só o que sentimos juntos.
e sempre acho que estamos condenados.
um de cada vez. todos ao mesmo tempo. uns aos outros.

me pergunto se sabemos rir. ainda. e sem chorar.
não somos tristes, sabemos vestir alegrias,
mas algum dia seremos livres?
não é raro achar que estamos condenados:
um de cada vez, uns aos outros.
e por estarmos todos. talvez isso nos liberte.

Saturday, July 07, 2007

das nossas biografias

das nossas biografias





Somos quatro
e estamos sempre em seis
cada um mais que o outro
e somos duas
mas também somos seis
porque não nos dividimos em pares
muito menos em ímpares
sobretudo porque não somos mais
nem maus,
nem portanto,
nem bons
sou uma
e sou seis
e há quem seja um
ainda que tenha quatro
e é só
por isso também é seis
Só os seis.
Somos vários.

Sunday, July 01, 2007

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e chora diante do branco e da luz

porque existe
toda essa sombra
em-si-ste

Wednesday, June 20, 2007

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Olhos de bola de gude. Lúdicos e severos: embaçados. lustra para mim? Guerrilha sem armas. Tinha os olhos de bola de gude. E ainda sim eu não conseguia jogar.




Wednesday, June 13, 2007

°°°

"É porque você não sabe sorrir" Me disse quase rindo como se a ironia fosse algo que pudesse ser palitado dos dentes. Mas era um sujeito educado e tratou de por a mão na frente. De certo sabia ser comedido. Como eu sempre sou quando estou dormindo. Exceto quando tenho sonhos agitados. Ou confusos. E aqueles com nexo demais. Então eu não sabia sorrir. Sujeitinho pretensioso. E fiquei tentando lembrar de uma boa piada. Alguma cena ridícula. E tinha que ser rápido. Forcei um pouco as sombrancelhas para cima. Reduzi a fresta das pálpebras e retorci o canto da boca. Pronto. Estava sorrindo. "Tá vendo o que eu te disse? Acho que é porque você não sabe amar"