rasgando.E não é raro ter certeza: estamos condenados.
na verdade é o que sempre acho.
mesmo quando nos presenteamos.
mesmo quando nos olhamos com carinho
não é raro sentir o peso de um tapa ou de um suspiro
- sinto os pulmões como a ponta dos dedos.
e não é raro dizer o que não sentimos.
como não é raro brigarmos por tudo que nos passou.
fomos atropelados. por tantos.
e quase sempre nos atropelamos.
sem gritos ou dor, somos silenciosos.
cortantes e quebradiços como gelo.
raro sermos nós mesmos.
e talvez eu não os reconheça na rua, sem defesas, problemas e medos.
e talvez eu nunca saiba suas cores prediletas, seus sonhos,
quem foi seu grande amor.
porque eu não quero saber só o que sentimos juntos.
e sempre acho que estamos condenados.
um de cada vez. todos ao mesmo tempo. uns aos outros.
me pergunto se sabemos rir. ainda. e sem chorar.
não somos tristes, sabemos vestir alegrias,
mas algum dia seremos livres?
não é raro achar que estamos condenados:
um de cada vez, uns aos outros.
e por estarmos todos. talvez isso nos liberte.